
Este final de semana fui com minhas irmãs assistir ao filme " O Divã". Fui um pouco desolada porque estava ansiosa mesmo era para ver "Che" como o poderossíssimo Benício Del Toro. Nossa , esse cara é tudo, ainda mais representando um dos homens mais sensacionais que passou por esse planeta. Mas minha irmã , que nunca sai resolveu acompanhar minha outra irmã que nunca tem tempo de sair por causa dos filhos, e que queria um filme para rir, ambas escolheram " O Divã" e lá fui eu mais pela oportunidade rara de sairmos juntas.
O filme acabou por ser arrebatador. De imediato nos apaixonamos pela interpretação única e primorosa da Lília Cabral que nos convence o tempo todo da personagem, mesmo quando ela parece improvável. Um show. Ainda bem que o Diretor José Alvarenga Jr. a manteve como atriz do filme , já que é sucesso há anos com a peça homônima , baseada no livro de Martha Medeiros. Lília domina o filme, com seu interpretação sincera e comovente. A cada confissão se parece mais conosco, mulheres, e fica a impressão que é a gente falando alto. O filme é engraçado e todos estão ótimos, como a impagável melhor amiga Alexandra Richter. Sem falar no cabelereiro (pena que não sei nome), ah... e os gatíssimos José Mayer e Cauã Reymond, além do deus grego Reynaldo Gianecchini (como pode ser tão lindo?). Mas o mais bacana é o que o filme nos faz pensar.
A gente faz escolhas na vida, segue em frente, e muitas vezes se esforça para parecer feliz. E até somos. Mas é importante as vezes mudar o rumo , buscar novos caminhos, arriscar para se surpreender. Com os caminhos? Com os outros? Não, com a gente mesma. E o filme nos fala disso. Mercedes, uma mulher de mais de 40 anos, com marido e filhos , e uma vida classe média tradicional. E ela descobre que faltava algo. Precisava voltar a desejar e se sentir desejada. Não bastava ser mãe ou esposa, era importante ser mulher. Para isso correu riscos, errou, sofreu, e descobriu a leveza que a vida traz quando acreditamos em nós mesmas. E com tudo isso cresceu. Sem arrependimentos.
Durante o filme me lembrei de minhas amigas, seus medos e suas iniciativas, e principalmente pensei em mim. Me senti assim, como ela , reencontrando a leveza que nos impulsiona a convicção que novos acontecimentos virão, e temos coragem suficiente para encarar o que está por vir. Dúvidas, sempre teremos, assim como um frio na barriga e uma enorme saudade do que teremos que deixar pra trás. Mas enfim sabemos que diferentemente de muitas outras mulheres que não tiveram escolhas, ou que se vêm ainda aprisionadas ás convenções sociais, seja de que idade for, nós podemos escolher nosso caminho. E se ele não for bom, a gente traça outro, o importante é que na caminhada vamos crescendo , e com sorte, também se divertindo muito.
Valeu o filme, a companhia, o vinho, a pizza, o sábado. E hoje ouvindo o rádio, bem alto, a trilha parecia perfeita: Coldplay - Viva La Vida.
