segunda-feira, 30 de junho de 2008

Me lembrei das aulas do meu Professor de História Medieval, o saudoso Mário Carlos. Ele nos contou em sala a sua visita a Europa. Diante do túmulo de Carlos Magno , não titumbeou, se ajoelhou e chorou.
Foi Assim que aprendi que a História não é apenas um ganha pão. Ela transforma a vida da gente. E nos faz assim , um povo esquisito, que chora diante do túmulo de alguém que morreu a séculos. Ouvir isso do meu professor, foi uma honra. Bons tempos em que a paixão pela História emocionava aos alunos, nos fazia vibrar, simplesmente...assim... pelo conhecimento...

sábado, 28 de junho de 2008

Faltam oito dias, uma semana , poucas horas.
Ontem fui ao samba carregar energias, buscar fôlego.
Hoje tem festa na casa de Saint-Clair. Mary voltou. Enfim estou procurando ficar com os meus, assim, levo boas energias na viagem.
Ainda nem preparei a mala, tentarei fazer um pouco hoje, concentrando no que vai e o que fica.
Tenho que me organizar mais, enfim, racionalizar um pouco esse momento que é pura explosão de sentimentos. Ao mesmo tempo que quero que passe rápido, chegue logo o dia, não posso mentir . O frio na barriga aumenta. Eu que sempre falei do risco e da necessidade de assumi-lo, me vejo diante deste momento. Vamos lá...pra realizar os sonhos é preciso coragem e ousadia. Eu as tenho.

quinta-feira, 26 de junho de 2008



Gostaria de levar na mala:

o Sorriso de Pedro, a alegria de Vini, o olhar atento de Antônio.

A ousadia de Papai, a doçura de Mamãe.

Gostaria de levar a companhia de Lu. O conhecimento de Arte da Ró. A emoção de João Leandro. A Segurança de Franceni.

Queria levar Lili e Lala pra fazer bastante bagunça. Cair na madrugada européia.

Ah...Dalton e Igor pra pirar e gritar "Dont'let me Down " pelas ruas de Londres. Chapadossss.

Queria levar João Alfredo para nos emocionar com os lugares da política e da História, e beber umas. Alexandra pra rir e comprar muiiiiiiito.

Ah...de Rémy o guia, a mão.

De Gravito a companhia , a doçura , o afeto. E também um pouco daquela preguiça gostosa, aquela que nos faz ficar sentado horas a fio num parque conversando. Vou sentir falta dessas conversas.

De Mary e Ricardo, ah...além dos conselhos a farra. Nossa e que farra seria. Imagina os três em Amsterdam? "Quebraríamos tudo"! Risos.

De Suzana a sofisticação. O Bom gosto gastronômico. Um passeio pela História do Cinema.

De Mikos, o cheiro.

De Jac e Jane gostaria de levar a falta de perspectiva e deixá-la por lá, trazer de presente uma vida mais ativa, com ousadias para o futuro.

De Teco ahhh...o gosto pelos ingleses.

De Leco's a segurança.

Da Clo além da beleza, a intelegência e a maturidade.

De Cláudio meu irmão a paciência ou a falta dela. risos.

De Paulo Caetano a força , a solidariedade, a música e o conhecimento de inglês (claro).

Enfim,minha mala vai se enchendo, e eu fico pensando, como sou uma pessoa de sorte!

" Roda mundo roda gigante...roda moinho ...roda pião ...o tempo rodou num instante...as voltas do meu coração" (Roda Viva - Chico Buarque)

A última sexta feira pode ser traduzida em duas palavras: Desencontros e Reencontros.

quarta-feira, 18 de junho de 2008


A ansiedade aumenta, fico por horas em algum lugar que nem eu sei onde é...
Mala pra arrumar, notas para fechar, coisas variadas para aprender...
Vou aprender muito nessa viagem, tenho certeza, sobre o mundo e principalmente sobre mim.
Hoje descobri que no meio de tanta confusão, no meu quarto , e no meu quarto de estudos perdura um medinho danado de não dar conta. Mas aí eu penso, aqui em que quase tudo eu conheço me parece as vezes tão sem sentido.
Então venço mais um dia de espera, concluo mais uma tarefa e aguardo ansiosa a passagem do tempo que me levará a novas surpresas , a novos riscos.

terça-feira, 17 de junho de 2008



Eu não me lembro de quando tudo começou, só sei que foi assim,natural e sem o repicar de sinos. Eu era pequenina,mas senti um enorme desejo de ver o mundo. E tudo isso tinha uma relação com a História. Eu me preparava para brincar todas as tardes, diante do muro de cimento (meu quadro negro) colocava alguns tijos para servirem como alunos.Alguns até reagiam bem as minhas aulas, mais do que muitos dos meus alunos verdadeiros,risos. Maldade a parte, eu ficava lá, ensinando a eles sobre a História do Brasil.

Tinha lá meus 6 ou 7 anos, e já falava muito em Santa Catariana, ah...como eu queria conhecer Santa Catarina, nem sabia onde ficava,mas eu queria ver. Legal foi descobrir anos mais tarde que Santa Catarina era um lugar especial, tão especial quanto o nome que tanto me encantava.

Eu ensinava História do Brasil, e sonhava que poderia viajar no tempo. A viagem já me atraia. Nem sabia eu onde essa paixão iria me levar. Nesse processo de conhecer sobre o mundo, e não de conhecer o mundo, eu descobri um novo lugar misterioso: Paris. Sabia que o Titino (um tio que morreu tempos depois) sonhava em ir até lá. Paris me parecia um sonho, cheio de gente bonita, elegante e muito muito inteligente. Ah , e se tinha uma coisa que eu sempre quis ser era INTELIGENTE. Adorava quando me elogiavam pela inteligência, eu não sabia ao certo,mas me parecia que isto seria algo mais duradouro. Êta menininha esperta, e inteligente, claro.

Bem, assim, Paris ficou por perto, me rondando. Na quinta série as primeiras aulas de francês, adorava a musiquinha:

"Bonjour Bonjour mes amis /Bonjour Bonjour Professeur/ Bonjour mes amis/ Commaint les vous/ Bien , bien , Merci.

Bonjour Françoise commaint ça va? ça va bien , bien, merci./ Bonjour Simone , tu vas bien, tu vas bien? Oui Merci, oui merci. "

Putz...tanto tempo...

Essa musiquinha me fazia querer ir lá , junto aos franceses. Depois isso pareceu coisa de "colonizado", "imperialista", "careta". Ah...isso é engraçado, pois eu sempre pensava nisso antes de todo mundo. Tinha meus 12 anos. Enfim, quem me salvou foi a literatura. Quando tudo parecia careta, e quando eu era na verdade a maior das caretas, a literatura me falou de transgressão, li Ernest Hemingway, ah...Paris é uma festa...li Simone de Beauvoir. Eu tinha 13 anos ,mas uma coragemmmm. Enfim, li tanto que com 15 para 16 descobri a poesia. E aos 30 descobri que tem coisas que a gente pensa, mas só os poetas conseguem colocar em poucas palavras, e se isto era uma verdade o meu poeta era Charles Baudelaire. Ah...lá estava Paris de novo. Agora a cidade distante das elegantes festas de Hemingway, ou dos intelectuais de Beauvoir. O lixo, o sujo, o profano, ahhhh a transgressão. Paris me seduziu, e se consolidou como um grande sonho.

Hoje, aos 41 anos, faço força para que as horas passem rápido. Faltam 18 dias para que eu realize um sonho de menina, agora com a certeza e a coragem da mulher que sou. Forte, pronta e feliz para poder ir ao encontro desta cidade, que me deixou marcas tão profundas, assim, de tão longe. Chegarei lá e descobrirei um pouco dos mistérios desta atração. O Coração está disparando...