terça-feira, 15 de julho de 2008

Tres dias...

Oi gente,
fiquei um tempo sem escrever, as coisas acontecem rapido demais, os dias estao cada vez mais curtos, so nao encontro os acentos para as palavras, ah...vc entendem.
Enfim, no dia 12 conforme prometido fui ate A Notre Dame, ai ai ai, chorei pacas. Putz, e linda!Voces ja devem estar cheios de ler lindo nesse blog, fazer o que ? Estou em Paris. risos.

A Notre Dame e enorme, muito maior que eu imaginava, alta, muito alta. As varias fazes de sua construcao se apresentam, e gente, ela comecou a ser construida no seculo XI. Emocionante e pouco. Pensei em quantos personagens e quantos acontecimentos aquela igreja ja viu, putz, nao resisti. Tocava uma musica linda, suave, e os milhares de turistas transitavam sem grande barulho. Alias e sempre assim, muita gente e pouco barulho, admiravel. Fiquei horas la , chorei, assiti missa e rezei muito por todos, principalmente Mamae. Gracas a Deus ela esta bem.

Sai da Notre Dame e fui andando pelas Margens do Sena, cara nem acredito que sou eu aqui. De um lado a Concorciere, onde Darton ficou preso, do outro lado, a Bastilha, ai ai ai..bate coracao. Aqui a gente nao para de andar, e a cada esquina e um encontro, com aquilo que ja sabiamos existir. Mas que sempre e melhor ao vivo.

Dia 13 fui ate o Museu D' Orsay. Imagina uma historiadora do seculo XIX no maior museu de arte oitocentista? Quase montei barraca e fiquei por la. Mon Dieu! O museu e melhor que o Louvre, pois tematico concentra o aprendizado da gente, e nunca aprendi tanto. Cada uma das centenas de sala tinha uma preciosidade, aqueles quadros que sempre usei em minhas aulas, ali ao vivo. Como nao lembrar de Rosana? Nos duas la podemos esquecer. Uma sala com Renoir, outra so com Van Gogh, outra Toulouse Lautrec, e ali na minha frente dois dos meus preferidos: Caillebout e Camille Pissaro. Pra perder o folego e chorar, ele, meu preferido: Cezanne. Nem preciso dizer nada. Ainda tinha nos corredores Rodin, Camille Claudel, Millet, enfim...todos os oitocentistas la. Hula la...

Sai do Museu achando que estava tudo bem, fui ao hotel , deixei a sacola de livros, kkk, entreguei, to comprando livros,kkkk, e descansei. De repente veio a voz da consciencia: menina, voce esta em Parissssssss. Sai de la direto para o Butte de Montmatre, no topo da colina, em plena escadaria da Sacre Couer de Marie. Sempre achei que aquele seria meu lugar predileto em Paris, e acho que e sim, depois da Torre Eiffel , que e o predileto de todo mundo. risos. Fui subindo devagar, vendo as pessoas, ouvindo a musica dos bares, trocando olhares, enfim, ate' que ouvi, adivinhem quem ? Essa moca ta diferente, j'a nao reconhece mais , esta pra la de pra frente , esta me passando pra tras...kkkk Chico Buarque em Montmatre. Nao era ao vivo, mas um bom sinal. kkk O bar tocava boa musica, ou melhor , musica brasileira. kkk. O deixei pra tras, porque apesar de uma ilha de seguranca vim aqui pra conhecer o mundo e nao exaltar o Brasil. Ah...alias de madrugada vi o Brasil ser campeao no volei, as meninas brilharam em cima do Japao, e eu chorando feliz. Outro dia, vi de relance os gols da rodada, passou Sao Paulo e Palmeiras, adivinha, ehhhhh chororo...saudades do meu povo.

Voltando a Montmatre. Segui em frente e ouvi um som de Blues, ai vale...risos. Foi numa praca na parte baixa. Uma banda de senhores tocava, e a meninada ficava bebendo e dancando. De repente tava todo mundo dancando e cantando. Entrei na onda, pois aqui ninguem tem vergonha de sentir nada. Pois e nessa conheci um africano do congo, que veio pra ca crianca. Tentamos conversar um pouco, mas eles sempre querem oferecer algo, e eu segui em frente.
Subi ate perto da praca de Trente , me sentei num bar, o garcon era gente boa, conversamos, e o clima era legal, tinha alemaes e italianos. Fiquei por la escrevendo meus cartoes e programando o dia seguinte que seria o 14 de julho. Bem, a meia noite comecaram os fogos. Gente, Paris aos meus pes explodindo pelo dia da patria. Cara, lindo demais, os jovens, velhos, criancas, todo mundo soltando fogos. Voltei pra escadaria e la tinha arabes de varios lugares dancando. E todo mundo tocando musicas de seu pais , fora o som dos carros. Todo mundo bebendo e dancando. De repente um cara , jovem, bonito, gritou: Viva a Revolucao! O povo unido jamais sera vencido! Tinha tanta conviccao que eu sorri. Ele me disse, temos que lembrar sempre a revolucao, principalmente quando expulsamos os alemaes,e os ideais de 1968. Lindo nao. pois e.Fogos de artificio, fogos de malabares, fogo dos tontos, fogo dos corpos, putz...que lugar...e eu la. Perfeito. Viva la Franca.

Voltei pro hotel ja passava das 2 horas, e percebi que muito do que podemos entender como liberdade esta nessa seguranca de curtir uma noite dessas em paz, e poder voltar pra casa, seguro quando quiser. Seguranca para ter liberdade, putz a gente merece isso.

Dia 14 de julho, madruguei. Ai ai ai, odeio acordar cedo, ainda mais que dormi tarde, tomei vinho, enfim. Mas acordei, tomei meu cafe (do hotel, horrivel, kkk) e fui pra Champs des Eliseus, ver a festa. Uma multidao se acotovelava. Fiquei la. Um calor insuportave. E eu la. Uniformes e tanques, e eu la. Ah...passou na nossa frente o General das Forcas Armadas da Franca. E meu pe doendo. Gente, vi o Presidente Sarkosis...kkk...e dai? Pois 'e comecei a pensar assim, enfim abrindo o desfile os avioes, putz...lindos...mas lembrei da Indochina...lembrei da Argelia...ah...lembrei que a Franca e colonizador e eu to do lado dos colonizados. Credddooo. Sai dali rapidinho pois mais um pouco tava mandando os franceses se fuder. Tenho que me controlar pois daqui vou pra Londres, colonizador dos piores. kkkkk Passei pela cidade lotada e fui ver as griffes famosas. Ai veio o choque de realidade. Gente, tem um relogio custando EU 8. 000,00 ou seja , mais de R$20.000,00. As roupas? Algumas lindas, mas tudo como acho que os europeus gostam, para durar. SAi de la correndo, e me sentindo pobre, ah...mas em Paris. kkkkk

A noite , aqui escurece depois das 22 horas, eu fui ate Marat, em especial na Praca Vosges (medieval) la entre outras pessoas ja moraram Victor Hugo,agora , pra mim o morador mais ilustre e Chico Buarque. Mas com tanto turista por aqui, aposto que ele deve estar no Leblon. Marat e um lugar elegante, lembra a zona sul do Rio. Legal, depois fui caminhando ate a Bastilha. Caminhei pelo Sena. Vi os fogos da Torre Eiffel de longe. Ah...tinha muito turista la , e estou comecando a ficar enfarada de multidao. Estou procurando lugares tranquilos, e foi num deles que comecei meu dia 15.

Bem, hoje sai decidida a fugir dos turistas. Sai cedo e fui direto para o Pere Lachaise, o famoso cemiterio de Paris. A principio parei na porta e e fiquei com medo. Depois deixei pra la e fui. Nao preciso dizer o grande numero de turistas saiam de cada caminho com mapinha na mao procurando o tumulo dos famosos. Fui la no do Jim Morrison. Engracado, tiraram o busto dele. Tinha um vaso de flores, um colar de hippe, e so. Jimy Douglas Morrison, o camaleao. Rimbaud dos tempos da heroina. Enfim. Depois sai de la pensando em ir no de Oscar Wilde, Moliere, Proust e Michelet. Mais tarde iria ate o cemiterio de Montparnesse para ir ao tumulo de Baudelaire. Ahhhh...no meio do caminho pensei. Que morbito! Gente, Baudelaire, Oscar Wilde e Morrison devem estar rindo de mim. Eu que adoro a obra deles e os conheco apenas atraves dela tenho certeza disso. Sai de la e disse , estao mortos, vivas estao suas ideias. E Baudelaire esta vivo nas ruas em que caminho em Paris.

Ai , pra voltar pra casa mais feliz, fui ate a Sorbonne e ao College de France, onde a turma de Annales revolucionou a Historia.A praca que existe em frente se chama Michel Foucault, em homenagem ao filosofo. Ah...estao todos em ferias , mas foi bom ter estado la. E mais emocionante, fui a Praca da Sorbonne,ao Boulevar Saint Michel e ao Quartier Latin. Sabe o que aconteceu por la?Maio de 1968. O movimento dos estudantes da universidade francesa, que teve como lideres Sartre e Foucault. Ahhhh.. Voltei feliz e vivendo a cidade.

Algumas coisas importantes de se falar. Tudo aqui e automatizado. Coloquei hoje cartas no correio , Banco Postal, simples, pesa a carta, coloca moedas , cai o selo, sela e deposita no local indicado. Ontem fui ao supermercado, Champion, como no Brasil. So que la o caixa tambem e automatico, voce pesa seus produtos clicando na imagem deles, depois vi direto ao caixa, passa os codigos e ai coloca o cartao de credito e pronto. Incrivel nao?

Os restaurantes internacionais abundam. Por isso decidi comer cada dia um prato de uma nacionalidade. Entao ja comi americano ( original, nao e Macdonalds) , Egipcio, Italiano e Grego. So em torno do meu hotel tem mais de 10 restaurantes de nacionalidades diferentes. Os Arabes me parecem pouco limpos, mas os gregos sao super alegres. Dancam, conversam, sao atenciosos.

Hoje fiquei observando como sempre as pessoas e me apaixonei pelas negras americanas, estou ate gostando quando se comunicam comigo em ingles, me confundindo com elas. Gente, elas sao poderosasssss! Estilo, algo que me falta, sobra nelas. Maquiadas, penteados exoticos e muita, muita atitude. Apaixonei em ver mulheres assim. E quis ser como elas. Outras interessantes sao as mulcumanas. Aqui existem aos milhares com seus veus e roupas negras. Hoje vi algumas que usavam uma protecao de ferro cobrindo nariz e boca. Estavam na Printemps, e compravam mais que as americanas. kkkkk. Esta loja e um grande magazin onde tem todas a grandes marcas. Dior, Chanel, Calvin Klein, Prada,Kenso, enfim, la creme de la creme. Elas compram tudo! Na Tiffanys, famosa griffe de joias elas mandam. kkk....incrivel de ver, a desenvoltura delas. Nenhuma fragilidade com aquele veu. E eu la curtindo tudo ...kkkk bom demais .

Ja vou...au revoir...Beijos...Janete. (Paris, 15 de julho de 2008).